Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Seda


Acho que não comentei aqui, mas tenho outro blog com minha amiga Inara.
http://www.comopapeldeseda.blogspot.com/

Tenho atulizado mais do que os meus Devaneios.
Lá, não há regras. A gente publica o que sente, da forma como quiser, se quiser.
Papel de seda. A seda foi escolhida porque representa a metáfora de como nos portamos em relação à vida. A seda é delicada e é fácil de ser transformada. Qualquer intervenção, já não está como era antes...




Visite-nos e se deixe amassar um pouco (;

Terça-feira, Setembro 15, 2009

Pequeno

Eu não sei que dificuldade é essa que você tem em dizer não.
Você centraliza todas as decisões pra si, mas só resolve o que lhe convém.... naquele instante! Porque tudo lhe diz respeito! O que está em jogo são problemas SEUS! Não diretamente, mas são inteiramente SEUS!
Mas quando você não quer escutar, não tem jeito. É irredutível. Inquebrantável essa vidraça que nos separa.
Não adianta nem eu tentar me descabelar, você não vai sequer me olhar nos olhos

Oi! OLÁ!! TEM ALGUÉM AÍ??
Quando é que você sair da sua bolha?
Como é que eu faço pra estourá-la?
Sabe, eu tô tentando. Tô tentando derrubar o muro - ou pular (sei lá!) - tô tentando encontrar uma forma de acabar com essa distância que VOCÊ impõe. Mas parece que a cada passo que eu dou, você recua dois... 
Eu me esforço pra tentar resolver a situação da forma mais prática possível. Mas tudo depende de uma resposta sua. E é justamente esse o problema.
SIM ou NÃO? Tão simples.
Você não dá o braço a torcer, é isso, né? Você NÃO QUER DIZER NÃO. É demais pro seu ego, eu sei. 
Você ignora minhas propostas, oculta a sua resposta enquanto a coisa rola... é uma droga. Me enrola toda hora.
Você não admite ter que ser humilde. 
Pequeno.

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

Quem?

- É ele – apontou a recepcionista para o rapaz que acabara de iluminar a sala, deixando os feixes de luz invadirem o ambiente. 

Não era preciso dizer. Ela sabia. Antes mesmo de ouvir o aviso, os olhos se encontraram e encararam durante segundos espaçados. Um olhar penetrável, o qual aqueles poucos segundos foram suficientes para deixá-los constrangidos, se desviarem, para em seguida se cumprimentarem: sorriram. Sinceramente.
Mesmo não sendo um dia para sorrisos, aquele olhar a atingiu profundamente e, por causa dessa força, foi capaz de fazer seus dentes respirarem - impossível não retribuir. 

Lutava para se manter serena, aparentar boa disposição. Porque sua vontade era não estar lá. Nem em lugar nenhum. Queria desaparecer. Ou melhor: fazer com que a dor desaparecesse... 
Aquela estava sendo sua pior semana do ano. Mas ninguém tinha nada a ver com isso. A culpa era inteiramente dela, que se submeteu a tantas flechadas sem a menor proteção, nenhum colete ou escudo qualquer. Foi golpeada, esbofeteada. E para aumentar sua cólica, estava atrasada. Justo ela que preza pela pontualidade, abomina ter que esperar. Era uma verdadeira violência contra si própria.

Chorar. Sumir. Fugir. O que é que estava fazendo ali?

Tudo isso era visível nela. Estava impregnado, não havia como esconder ou maquiar. Não carecia fazer perguntas para descobrir. Nem parecia conveniente. Quando as pessoas estão mal, até palavras de apoio doem. Porque aceitar a verdade é deveras acetoso. 



Palavras, palavras, palavras.
Não era capaz de formular uma combinação coerente. Palavras desconexas flutuavam dentro da sua cabeça de coração partido, num balanço descompassado. A pancada foi forte. 

Quando começou a dizer coisas óbvias: “você tem que se preparar”, “praticar algum esporte”, não sabia se ria ou chorava. Tudo aquilo era tão certo pra ela. Mas o desgaste emocional e psicológico da noite anterior havia afetado-a demais. O chão se esmiuçou, estava entre escombros, se segurando nas beiradas pra não cair de vez. 

Chorar. Sumir. Fugir. O que é que eu tô fazendo aqui? Se perguntou mais uma vez. E quanto mais ele falava, menos queria escutar, e mais gostava. Dele. E de si. Porque percebeu nele o reflexo de si mesma, se enxergava dizendo aquele sermão.

Lembrou do amor construído destruído, do dia que sentenciou “perdi o homem da minha vida”. Mas agora a certeza se dissolveu e reproduziu dúvidas. A única certeza que lhe restava era a de ir embora. 
Como se espantasse insetos incômodos, afastava os pensamentos e tentava se concentrar no que sentia. Pois diante de si, sentia uma energia extraordinária, via um ser maravilhoso.
Seria ELE? 

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

A vida e sua tragédia




A TRAGÉDIA da vida:


duas forças distintas e fundidas:

razão versus intuição,

medo versus vontade.



SIM, eu digo sim ao MEDO,

à CULPA, ao SOFRIMENTO...



porque digo sim à VIDA não-idealizada



Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Quando a luz acabou*


*Baseado em um acontecimento verdadeiro

Era uma noite como outra qualquer, numa cidadezinha dessas que não se têm notícias.
Uma cidade de meio do caminho. Como essas que se veem antes de chegar na cidade grande; do tipo que mais parece vilarejo, cidade na qual nunca se vai de encontro, só se conhece por acaso, quando a viagem é longa e se para no primeiro lugar que encontra.

Era uma noite como outra qualquer – lá. Céu limpo, enluarado e estrelado. Ruas tranqüilas, iluminadas vez ou outra por algum carro que passava.

Foi quando um pane apagou as luzes, e os rádios, televisores e toda parafernália elétrica. Sim, porque apesar de pequena, a cidadezinha era globalizada, tinha internet e tudo. Seus habitantes tinham o hábito de, de segunda à sábado, naquele horário, se reunirem e sentarem à frente da tevê. Esperavam surgir na tela com fundo azul, um casal: “Boa noite”. E mesmo tendo a distância material, as pessoas o consideravam próximos, tratando-os pelo nome e comentando as mudanças visuais de cada um.

Quando tudo apagou, o homem dizia alguma. A família toda estava na sala, houve quem resmungasse. Prontamente, a mãe junto com a filha mais nova se levantou e foi procurar velas para que ninguém se machucasse andando pela casa – apesar dos móveis estarem no mesmo lugar há anos. Enquanto isso, a filha mais velha abriu a janela que dava pra rua, para conferir se a vizinhança também estava às cegas. Constatou que era geral, a cidade inteira.

A rua estava escura mas, por ser estreita, conseguiu ver os vizinhos da frente conversando e se acomodando na varanda. Percebeu como toda tecnologia afastava as pessoas. Chamou a irmã e o pai – a mãe ainda procurava e acendia velas – para contemplarem a lua quarto-crescente, a única fonte de iluminação. Começaram a conversar. A comunicação entre eles não era das melhores. Definitivamente. Mas em certos momentos, apenas a presença de cada um bastava. Falaram sobre a beleza da lua, procuraram o Cruzeiro do Sul e as Três Marias – sempre fáceis de encontrar naquele céu – e tentaram adivinhar as outras constelações.

Nesse momento, já tinham esquecido o incidente e aproveitavam para desfrutar a companhia um do outro, prestando atenção aos sons não tão distante dos grilos e cigarras, absortos em pensamentos e sentimentos únicos, serenos, num ritmo que só é possível alcançar em cidades verdes do interior... quando a energia foi religada e as luzes fluorescentes se acenderam e, quebrado aquele estado de graça, voltaram rendidos à frente do televisor, diante da imagem de pessoas jamais vistas, entregues à monopolização de um canal.

E a lua continua lá, e mesmo renegada e sozinha, está sempre solícita e disposta a receber companhia. Ao contrário da cidade, sua luz nunca se apaga.

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Amor simples


Eu quero pegar na tua mão e te levar para passear.
À pé. Sem rumo.

Caminhando e cantando e seguindo o coração.

Parando de súbito e que susto! mostrar alguma coisa inofensiva que esteja sobre uma árvore ou no chão.

E a gente começa a conversar sobre a vida, sobre coisas que ninguém tem coragem de falar de tão íntimas e aparentemente pequenas demais, quase frívolas, mas que a gente leva a sério.

A gente vai discordar em certo ponto e então, no meio do seu melhor argumento eu vou sair correndo, ainda de mãos dadas, te puxando junto comigo.

Vou começar a rir sem parar enquanto você me olha com uma cara de desconcertado, até finalmente se entregar e me acompanhar na risada. Você vai se perguntar internamente se eu faço aquilo por manha ou o quê, e quando olhar nos meus olhos vai enxergar a resposta: não, é assim mesmo, um jeito leve de viver.

Esse jeito que você admira e que em certos pontos até acha exagero ou falta de comprometimento, mas novamente não, os olhos não enganam. É só que você não se acostuma com isso, porque você pensa em cada detalhe, cada palavra, cada possibilidade, criando estatísticas mil na sua cabeça sobre todo e qualquer tipo de assunto, até mesmo sobre nós.
 
E enquanto você mirabola, eu brinco com seu cabelo e desfaço o penteado ridículo que você criou pra tentar compensar a mão pesada do barbeiro, e aí você se dá conta da minha estripulia e - Mas de novo? Que coisa, não para! Pior que criança. Ah, não bagunça meu cabelo não... E eu rio com todo ar dos pulmões dessa sua preocupação boba para deixar o cabelo arrumado, rio feito criança. 

Você me olha com ar incrédulo querendo entender o porquê daquela atitude como pode, como pode? e então eu paro de rir e ficamos nos encarando, um olhando pro outro quando foi que eu te amei? em qual segundo eu me apaixonei? A gente não precisa dizer palavra; eu abro o sorriso e você me dá um beijo e aperta bem forte, pra eu sentir que o seu coração bate por mim naquele momento e tanto você como eu sentimos uma explosão de sentimentos, nossas energias se fundindo, nossos laços cada vez mais fortes você me lembra o oceano, eu me perco em você, eu preciso respirar, a gente sobe à tona e se encontra na superfície, eu quero dizer muita coisa mas é meu jeito simples: eu te amo.



"É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro" - Chico Buarque

Terça-feira, Junho 30, 2009

Verborragia internética


Cansei de tanta informação. 
Me asfixiei. 
Palavras jogadas ao léu nesse oceano de códigos binários.
"Seja bem-vindo! O que procura?" 
Nada. Só tô de passagem. Entrei por curiosidade... Não tô buscando "nada", quero chegar no início. Raiz. O final da linha, para desatar os nós.





Eu e uma amiga abrimos um blog onde escrevemos sobre nossas percepções da vida... quem é sensível, chega lá: www.comopapeldeseda.blogspot.com